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Advocacy em Psicologia: uma nova tendência (há muito importante)

Uma das tendências da APA para 2026 é o advocacy. Se tentarmos traduzir este termo para português, iremos dar a palavras como defesa, influência e promoção, mas nenhuma delas me parece transmitir na totalidade o termo advocacy, por isso, para já, continuarei a usar este estrangeirismo. Então, advocacy em Psicologia traduz a capacidade de promover, defender e dar visibilidade ao contributo da Psicologia e dos/as psicólogos/as na sociedade.

De um ponto de vista mais macro, advocacy em Psicologia visa a participação em políticas públicas, a defesa do acesso aos cuidados de saúde e a valorização da ciência psicológica. Trabalhando na área da empregabilidade e gestão de carreira em Psicologia, associo também o advocacy a um nível mais micro, ou seja, à capacidade que cada psicólogo/a tem de junto de diversos interlocutores e potenciais clientes, conseguir explicar como pode ajudar as pessoas e qual o papel e valor da Psicologia. Por isso, o advocacy pode começar por uma pergunta simples: consigo explicar claramente aquilo que faço? Consigo traduzir conceitos técnicos em benefícios concretos para as pessoas, para as organizações e para as comunidades? Consigo explicar que a intervenção psicológica pode contribuir para melhorar o bem-estar, facilitar a adaptação a mudanças, promover a saúde, desenvolver competências ou prevenir problemas?

Num mercado de trabalho em constante transformação, saber fazer continua a ser essencial. Mas saber comunicar o impacto do que fazemos é também uma competência profissional a valorizar, não apenas porque contribui para a empregabilidade dos/as psicólogos/as, mas também porque permite que mais pessoas tenham acesso aos benefícios da Psicologia.

O advocacy não é apenas uma responsabilidade das associações profissionais ou das instituições. Cada psicólogo/a é um representante da profissão, muitas vezes “na linha da frente” com potenciais clientes, parceiros, empregadores e decisores. Assim, continua a ser importante este nosso papel de explicar, com clareza e proximidade, o valor daquilo que fazemos.

Na forma como a APA nos apresenta, o advocacy, não se trata apenas de uma atividade política ou institucional, é também uma competência profissional. A APA destaca que este trabalho de advocacy assenta em capacidades que já fazem parte da identidade dos/as psicólogos/as: a escuta ativa, a empatia, a construção de relações, a comunicação baseada em evidência e a capacidade de influenciar através de narrativas e dados. Assim, muito caminho tem sido feito pelas instituições e por cada psicólogo/a a este nível, mas continua a ser importante não perdermos de vista esta necessidade, aproveitando novas oportunidades e combatendo novas dificuldades que o meio nos apresenta.