
Na expectativa de que esta época festiva possa trazer algum abrandamento do ritmo de trabalho, abrindo assim tempo para atividades de lazer, trago 3 recomendações – um livro, uma série e um filme – que oferecem espaço para reflexão, identificação e cuidado psicológico.
📘 Livro — Mar Alto, de Caleb Azumah Nelson
Mar Alto é uma história contada como poesia, onde Caleb Azumah Nelson explora identidade, pertença, fragilidade emocional e a experiência do racismo estrutural e quotidiano vivido no corpo, relações e percurso de vida do protagonista. Esta narrativa explora como a discriminação racial se infiltra na identidade, na saúde mental e no modo como a pessoa se posiciona no mundo e nas suas aspirações.
Para além do racismo, o livro aborda temas como masculinidades negras, fragilidade emocional, pertença e exaustão psicológica, dando voz a experiências frequentemente invisibilizadas.
Porque recomendo este livro?
- A escrita é maravilhosa;
- Ajuda a compreender como fatores discriminatórios sociais, sistémicos e estruturais moldam percursos pessoais e profissionais;
- Convida a uma leitura crítica das narrativas de “mérito” e “resiliência” individual;
- É um contributo importante para pensar diversidade, inclusão e saúde psicológica.
📺 Série — Ted Lasso
À primeira vista, Ted Lasso parece apenas uma série leve sobre futebol. No entanto, é uma das representações mais interessantes e acessíveis de liderança positiva, saúde mental e relações humanas em contexto de trabalho.
A série mostra que empatia, escuta, vulnerabilidade e coerência são competências centrais, quer na liderança quer no trabalho em equipa.
Porque sugiro esta série?
- Oferece uma visão humanizada dos contextos organizacionais;
- Trabalha temas como insegurança, mudança e desenvolvimento pessoal;
- Relembra a importância da segurança psicológica no trabalho.
É uma série leve mas impactante.
🎬 Filme — Perfect Days (2023), de Wim Wenders
Perfect Days é um filme silencioso, discreto e muito humano. Acompanha o quotidiano de Hirayama, um homem que limpa casas de banho públicas em Tóquio e encontra sentido na rotina, na atenção aos detalhes e na simplicidade.
Sem discursos sobre sucesso ou ambição, o filme convida a repensar o que valorizamos no trabalho e na vida.
Porque é que escolhi este filme?
- Questiona a associação entre estatuto profissional e valor pessoal;
- Mostra que o bem-estar pode existir fora da lógica da performance;
- Convida à presença, à repetição com sentido e à coerência interna.
Este filme devolve profundidade a quem assiste e acho difícil que alguém lhe fique indiferente.
Estas são as minhas recomendações para parar e cultivar… Nem sempre o desenvolvimento de carreira passa por decisões imediatas, planos estratégicos ou grandes mudanças. Por vezes, começa mesmo num momento de pausa, numa identificação silenciosa com algo que vimos ou lemos, numa questão que nos colocam e que nos faz pensar…
Desejo assim boas leituras, boas histórias e a entrada num novo ano com mais presença e propósito!