
Ao frequentar o curso Dilemas na Prática: o que fazer?, ficou bastante clara a ligação entre a ética e o desenvolvimento profissional e de carreira dos psicólogos. Obviamente que a ética tem de estar sempre presente na nossa carreira, mas com a participação neste curso, esta relação tornou-se muito simbiótica, pois tanto na ética como na nossa carreira e no nosso trabalho, somos chamados a tomar decisões. E não vale fugir delas nem atribuir-lhes um peso desgraçado. Podemos encará-las com alguma leveza, enquanto parte integrante da carreira e que fazem parte do processo de desenvolvimento profissional.
Estou habituada a pensar o auto-conhecimento, a formação, a experiência, a supervisão e a intervisão, como elementos importantes no desenvolvimento profissional do psicólogo. Fui descobrir neste curso, que estes elementos integram a base do raciocínio ético. Assim, Bricklin (2001) citado por Ricou no manual deste curso, destaca os seguintes elementos essenciais ao raciocínio ético do psicólogo:
- Autoconhecimento: o psicólogo deve conhecer as suas crenças e os seus valores, para saber o que pode causar uma atitude de julgamento do cliente e evitar comprometer o estabelecimento da relação de confiança;
- Formação de excelência: para limitar a influência da sua experiência pessoal e saber aplicar a teoria da ciência psicológica na compreensão das pessoas, é necessário que o psicólogo tenha conhecimento e formação acerca dos princípios e leis que integram o exercício da profissão;
- Experiência ou supervisão: é na experiência que o psicólogo tem oportunidade de conhecer como vai reagir e questionar essas mesmas reações. Daqui se retira a importância da supervisão quando o psicólogo está em início de carreira e também quando intervém em áreas onde não tem experiência;
- Intervisão: é importante que o psicólogo garanta que obtém outras perspetivas sobre o seu trabalho e sobre as suas intervenções, mesmo quando tem mais experiência profissional. Isto porque pode ter tendência em compreender o outro com base em situações anteriores, o que poderá limitar a compreensão da pessoa na sua diversidade;
- Humildade: mesmo tendo bem desenvolvidos os pontos anteriores, o psicólogo deve reconhecer as suas limitações e a sua falibilidade, que advêm não só das suas experiências pessoais mas também das próprias limitações da ciência. Assim, o psicólogo deve proporcionar ao cliente recursos alternativos à sua intervenção.
Desenvolver o raciocínio profissional no âmbito da ética, faz parte do nosso desenvolvimento profissional, que deve ser contínuo. O curso permite explorar estes e outros pontos relacionados com a ética e a deontologia, bem como colocar, debater e responder a dilemas com que os psicólogos se deparam na prática profissional.
Se este tema lhe desperta interesse, pode saber mais ou inscrever-se aqui.