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Multipotencialidade: o lado polvo de muitos de nós

Já ouviu falar no conceito de “pessoas multipotenciais”?

Alguém considerado multipotencial, é alguém que tem a capacidade de desenvolver múltiplas competências e interesses, e em diferentes áreas. É alguém que não se limita, por exemplo, a uma única carreira ou a um único campo de actuação; em vez disso, explora e destaca-se em várias áreas profissionais, como a arte, a ciência ou a tecnologia.

Os multipotenciais são, de um modo geral, pessoas criativas e inovadoras. Se há algo que define os multipotenciais é a transversalidade e a divergência de saberes. Uma pessoa multipotencial tanto ama a Psicologia, a Medicina ou a Engenharia, como ama as Artes, a Tecnologia ou a Literatura.

A mente de uma pessoa multipotencial navega nas profundezas de múltiplos cenários, tem visões e ideias incríveis, mas, por vezes, a dificuldade recai na sua realização.

O autoconhecimento é aqui, por esse motivo, uma ferramenta essencial para os multipotenciais. Compreender as suas paixões, os valores fundamentais e as suas competências, pode ajudar numa tomada de decisões mais alinhada com as suas verdadeiras aspirações. A reflexão pessoal, o coaching ou psicoterapia podem constituir-se como mecanismos de apoio importantes para explorar e integrar diferentes aspectos da identidade multipotencial.

Na esfera profissional, a multipotencialidade pode ser tanto uma vantagem, quanto um desafio. Por um lado, a diversidade de competências permite que as pessoas multipotenciais se adaptem a diferentes funções e ambientes de trabalho, revelando-se como importantes elementos em equipas multidisciplinares. Por outro lado, a dificuldade em escolher uma única carreira, poderá levar a sentimentos de insatisfação ou de frustração profissional.

É por isso fundamental que as pessoas multipotenciais encontrem formas de integrar as suas paixões, nos seus percursos profissionais.

Um profissional multipotencial pode actuar em diversas áreas, de acordo com as suas afinidades e pode parecer difícil acreditar, mas durante muitos anos, as pessoas multipotenciais foram reprimidas no contexto de trabalho, e essa realidade foi, em muito, impulsionada pela cultura enraizada de que uma pessoa só poderia ter apenas um único “ofício” e, caso se dedicasse com afinco e exclusividade, seria bem-sucedido.

Assim, a típica questão que muito se faz na infância “O que queres ser quando fores grande?” tem vindo a acompanhar as gerações até à actualidade, como se houvesse apenas uma única coisa que devêssemos fazer como adultos. Mas, este cenário tem vindo aos poucos a mudar com o ingresso da Geração Y no mercado de trabalho. Além de permanecerem menos tempo nos seus empregos, acabam também por circular por outras profissões, algo mais difícil de interiorizar para as gerações anteriores.

Apesar de uma pessoa multipotencial não ser melhor do que outros profissionais que se especializam numa única área, acaba por ser muito importante dentro do “lufa-lufa” das organizações, podendo colaborar de uma forma bastante significativa no âmbito dos projectos e das equipas dos quais faz parte.

A multipotencialidade é, no fundo, um motor de inovação. A capacidade de pensar “fora da caixa” e integrar conhecimentos de diferentes áreas, permite que estas pessoas desenvolvam soluções criativas para problemas, por vezes, complexos. Muitas das inovações mais significativas na história foram impulsionadas por pessoas que não se limitaram a um único campo de actuação, mas que cruzaram fronteiras disciplinares. Já para não falar de poderem criar e construir uma rede de contactos bem mais diversificada e aumentarem desta forma o networking dentro de uma organização.

É, por isso, importante potenciar a multipotencialidade adoptando uma abordagem proativa em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento pessoal e isso poderá incluir a procura por formações diversas, a prática de hobbies diversificados e a participação em projectos que desafiem esse multipotencial. A criação e integração, nos locais de trabalho, de um ambiente que valorize essa curiosidade e experimentação, poderá igualmente estimular ainda mais o crescimento multipotencial.

Na realidade ninguém precisa ser só uma coisa, mas também não é necessário transformar cada paixão numa carreira profissional. Uma pessoa multipotencial, apesar de ter muitas competências e paixões por área diferentes, não tem necessariamente de investir em todas elas para as tornar uma profissão. Pode transformar muitos dos seus talentos em hobbies. Com isso consegue gerir a carreira profissional numa área mais específica e dedicar-se, na vida, a outras actividades igualmente importantes para si, e tudo de forma equilibrada.