
Vivemos há dias o Halloween, o pão por Deus, o dia de todos os santos – celebrações com diversos nomes, consoante cada cultura ou hábito familiar. Confesso que, em criança ou adolescente, não tenho qualquer memória de festejar o Halloween, tinha a ideia de ser uma grande festa que se comemorava nos estados unidos da américa e bastante assustadora. Tal como nunca vivenciei o costume do pão por Deus, este período do ano era, para mim, simplesmente a época em que se ia ao cemitério.
Curiosamente, este ano cruzei-me com um programa que explicava as origens desta festa. Fiquei a saber que se trata de uma festa inicialmente celebrada pelos povos celtas da europa, e mais tarde, também uma festa cristã – Dia de todos os santos, tal como também no méxico é celebrado o dia “de los muertos”. Na verdade, e independentemente de como é designada ou celebrada, é uma época festiva que está associada à morte e que se recorrem a símbolos que, por norma, são considerados como assustadores, como as abóboras (transformadas), as caveiras, as bruxas e os fantasmas.
Nesta altura do ano, é bem possível que se tenha cruzado com um, os fantasmas aparecem em forma de fantasia. Mas na verdade, há outros que nos acompanham e “perseguem” o resto do ano e se manifestam sob a forma de receios, dúvidas ou inseguranças. E, embora tenhamos estudados as emoções e saibamos que o medo é considerado uma emoção primária, com uma componente adaptativa e essencial para lidarmos com situações que percecionamos como ameaçadoras, esse conhecimento não torna mais fácil de enfrentar quando nos deparamos com os nossos próprios “fantasmas”.
Talvez esta seja, afinal, uma boa altura para refletir acerca dos mesmos e num primeiro passo reconhecer este medo ou receio, dando-lhe um nome e uma forma, sem julgamentos internos. Por exemplo “tenho medo de me candidatar a esta vaga e não ser a pessoa escolhida”. E num segundo passo explorar porque estou a sentir esse receio, de onde isso vem. Por exemplo “sinto que tenho pouca experiência e pode não ser suficiente para me escolherem” ou “não sei se deva colocar esta informação no CV”, não estar 100% confiante com o CV apresentado. Ou até, ir mais longe e fazer uma análise mais profunda da situação, e nesse caso, procurar a ajuda de um psicólogo pode ser uma opção.
Talvez possamos retirar como mensagem desta festividade que é importante não deixarmos que os fantasmas continuem a atormentar-nos e compreender o que eles representam no momento presente da nossa vida!