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À semelhança de Jane Goodall

Em outubro, o mundo perdeu fisicamente Jane Goodall, a primatóloga, etóloga e conservacionista britânica. Mudou a forma como olhamos para os chimpanzés, para o comportamento animal, advogando em toda a sua vida a importância da ligação que o Homem deve ter, assim como todas as espécies, à sua Mãe Natureza.

Sempre foi para mim, um privilégio partilhar com Jane o seu dia e mês de nascimento, este facto, em tenra idade, contribui para aguçar a minha curiosidade sobre o seu percurso, e logo se transformou num modelo de inspiração, para vários dos meus papeis de vida.

Assisti recentemente ao documentário disponível da Netflix “As últimas palavras de Jane Goodall”, uma entrevista póstuma. Quem sabe, influenciada por o ter feito no mês em que se assinala o Global Career Month promovido pela Inter- Agency Career Guidance Working Group, durante 90 minutos, a minha cabeça extraia do seu discurso um conjunto de características ou pilares, que me pareceram estruturantes no seu percurso, enquanto elementos orientadores da carreira da ativista. Uma carreira com foco no bem pessoal e social, com considerações éticas na sua construção, para além do envolvimento da própria, foi um projeto de vida para os outros e com os outros.

Esta forma de construir a carreira é cada vez mais premente no mundo atual. Destaco alguns destes pilares que resultam da minha sensibilidade empírica, mas que são suportados pela evidência cientifica, do que vou apelidar no seu formato, a Carreira Goodall:

  • Valores claros: os valores são as bussolas da carreira, orientam as nossas escolhas, aumentam a motivação e o bem-estar, ajudam a lidar com dilemas e dão estabilidade ao nosso percurso.
  • Pensamento Científico: fundamental da nossa prática, não fosse ela assente na evidência científica.
  • Empatia e Compaixão: dois pilares relacionais da prática psicológica. Integradas, criam uma relação terapêutica eficaz, ética e robusta.
  • Curiosidade e exploração: podemos chamar-lhes, os motores centrais do desenvolvimento de carreira. A curiosidade gera questões, a exploração dá respostas, essas respostas alimentam nova curiosidade. É assim que a carreira se vai construindo de forma interativa, coerente e com maior sentido pessoal.
  • Observação Consciente: é mais do que “estar atento”. Permite recolher informação de forma fiável, reduzir viés e melhorar a qualidade das decisões clínicas, educativas ou organizacionais.
  • Esperança e pensamento positivo: ajudam-nos a sustentar o percurso de carreira ao longo do tempo. Permitem tolerar a incerteza, experimentar, corrigir e avançar.
  • Persistência e coragem: a primeira permite-nos manter o esforço ao longo do tempo, mesmo quando não temos retorno imediato e a segunda, leva-nos a avançar mesmo com incerteza.

Poderia continuar, mas vou ficar por aqui…

É claro que não somos, nem temos pretensão de ser a Jane Goodall, mas se olharmos para as carreiras, para a nossa carreira com a mesma lente, tenho a certeza que se multiplicarão os impactos do que fazemos diariamente, porque o que cada um de nós psicólogos e psicólogas faz diariamente, pode e deve ter uma cadeia de impactos, pode e deve ser transformador, pode e deve ser um sinal de esperança. Porque é urgente que o processo de mudança individual transborde para o coletivo e que num cenário macro, contribua para um mundo mais justo e sustentável.