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Tendências para 2026: em quais vou apostar?

Apesar de vivermos numa era marcada pela imprevisibilidade, e pela necessidade constante de adaptação a novos fenómenos que possam surgir, podemos estar atentos e acompanhar aquelas que são as tendências em Psicologia, identificadas pela American Psychological Association (APA) para 2026. Embora estas tendências sejam pensadas, numa primeira fase, para um contexto específico, o dos Estados Unidos da América, muitas delas refletem dinâmicas globais e oferecem pistas relevantes para outros contextos, mesmo quando não há uma ligação tão direta ao nosso contexto, podem servir de inspiração para reflexão e ação.

Este ano, a APA destacou nove tendências: 1) A Inteligência Artificial, a Neurociência e os Dados estão a impulsionar cuidados de Saúde Mental personalizados; 2) Os companheiros digitais estão a transformar as ligações emocionais; 3) Repensar a infância contribui para a saúde mental ao longo da vida; 4) A defesa dos direitos está a tornar-se fundamental nesta área; 5) Mudanças nas políticas públicas estão a modificar a capacidade dos psicólogos de prestar cuidados; 6) O trabalho está a viver uma era da incerteza; 7) O agravamento das condições climáticas está a impulsionar intervenções comportamentais mais inteligentes; 8) Contar histórias reforça o impacto da ciência psicológica; 9) Os cuidados integrados são simultaneamente uma oportunidade e uma necessidade.*

Apesar de a quarta e a quinta tendência surgirem associadas a questões muito específicas do contexto americano, nomeadamente alterações legislativas e aos seus programas de saúde que impactam diretamente os psicólogos, chamou-me a atenção a forma como a APA sublinha a importância de os psicólogos assumirem uma posição ativa na defesa das suas convicções e dos seus direitos. A associação disponibiliza, inclusivamente, um conjunto de orientações práticas para esse envolvimento: a) Defender a causa, por exemplo através da partilha de dados que demonstrem o impacto das mudanças ou evidenciem de que forma estas afetam pacientes ou clientes, famílias e comunidades; b) Aconselhar, mantendo conversas abertas e proativas com pessoas próximas e decisores; c) Documentar, em casos em que os pacientes ou clientes enfrentam barreiras; d) Envolver-se, através da interação com a ordem profissional ou do estabelecimento de parcerias com instituições que beneficiem de orientações especializadas.

Inspirada por esta ênfase na defesa de direitos e à luz do nosso contexto atual, ainda que esta seja uma preocupação já presente anteriormente, torna-se particularmente evidente, este ano, a necessidade de refletir e encontrar estratégias para acolher e intervir junto de populações migrantes. As propostas e alterações da lei da nacionalidade, a desinformação que circula em torno desta população e a incerteza quanto à gestão futura dos processos migratórios reforçam a importância de, enquanto profissionais e cidadãos, estarmos atentos a esta temática.

A OPP, já envolvida neste tema, lançou dois documentos que poderão ser uma ótima base sólida para explorar e aprofundar o assunto: o documento “Vamos Falar Sobre Integração de Pessoas Migrantes” e a checklistComo estou a interagir com pessoas migrantes?

Como a própria APA sublinha, a defesa de direitos tem por base competências que são inerentes à profissão de psicólogo, como a escuta ativa, a mediação de relações, a empatia e a capacidade de comunicar com base dados concretos.

E, por isso mesmo, a defesa dos direitos pode (e deve) fazer parte da prática profissional!

*É possível explorar mais acerca de cada uma das tendências através do seguinte link https://www.apa.org/monitor/2026/01-02