O Caminho faz-se Caminhando

Artigo por Marta Alves

 

No contacto com finalistas ou recém-diplomados em Psicologia, observo por vezes a ideia, errada, de que o facto de se ter escolhido uma determinada área de mestrado faz com que já se seja especialista nessa área. Para além do viés que este entendimento implica, já que para ser especialista tenho que ter experiência profissional, formação recebida, entre outros elementos (específicos de um determinado contexto de intervenção – para mais informações consultar o regulamento de especialidades da Ordem dos Psicólogos Portugueses), traz também, por um lado, a ideia de entrar no mercado já com um estatuto que não tenho, e, por outro lado, poderá limitar a minha abordagem ao mercado. Isto é, não raras vezes, existe ainda a ideia de que se eu tirei o mestrado numa determinada área, tenho que exercer nessa área e vou “à procura” de oportunidades de trabalho “nas caixas” que eu associo a essa área que estudei no mestrado. A área de mestrado (e, já agora, a área em que realizo o Ano Profissional Júnior) não me vincula a trabalhar para sempre nessa área da Psicologia. Por outro lado, a ideia de que “já tenho que ser especialista” pode ser, por vezes, difícil de lidar quando estou numa fase da minha carreira em que não tenho experiência profissional, tenho pouca formação e me sinto pouco seguro para exercer Psicologia. Enquanto recém-diplomado, é normal que me sinta assim. Desta forma, parece-me importante a ideia de que “o caminho faz-se caminhando”, isto é, após a minha formação inicial (licenciatura pré-bolonha ou mestrado integrado) tenho as bases daquilo que preciso para me lançar ao caminho no exercício da Psicologia mas o caminho não termina por aqui. Nesta altura não sou nem tenho como ser especialista. Nesta altura percebo que tenho dúvidas e incertezas. A boa notícia é que existem muitas ferramentas às quais eu posso recorrer para me lançar ao caminho com confiança, audácia e competência. Algumas dessas ferramentas são: recorrer a supervisão, participar em grupos de intervisão, fazer formação contínua, consultar bibliografia, criar redes de contactos e fazer desenvolvimento pessoal. Caminhe recorrendo a estas ferramentas, vá usufruindo das aprendizagens que faz e aceite que não é um caminho linear, mas antes um caminho complexo e em constante desenvolvimento.

“o caminho faz-se caminhando”, isto é, após a minha formação inicial […] tenho as bases daquilo que preciso para me lançar ao caminho no exercício da Psicologia mas o caminho não termina por aqui

Quem tem mais anos de experiência profissional percebe que estas ferramentas e estas características do caminho não acontecem só nos primeiros anos de experiência profissional. Assim, em todos os momentos do nosso ciclo de desenvolvimento profissional temos pontos fortes e pontos fracos, identificamos oportunidades e ameaças no mercado de trabalho e vamos passando por desafios vários (ex: desemprego, transição de carreira) que nos colocam novamente a estudar com que mapa estamos a lidar e que rota vamos definir e concretizar. Em todo este processo é importante irmos avaliando os resultados que estamos a obter e, acima de tudo, sermos capazes de, eximiamente, ir recorrendo às ferramentas que estão à nossa disposição para que o caminho seja o mais possível aquilo que nós queremos que seja e, também, aquilo que é esperado de nós enquanto especialistas em Ciência Psicológica.